segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Se se morre de amor

Se Joaquim, mal-amado,
se matou num domingo
Depois de o amor
Tudo lhe comer

O meu amor só
me comeu os créditos
do celular

e eu já penso em me matar,

Isso talvez não seja amor
mas desse amor se morre

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Futuro de 11:45

Adiantei o relógio
da cozinha
para fazer poesia.

Ao meio-dia
anunciou-se a poesia
pelo cantar dos pássaros
que habitam a panela de pressão

domingo, 1 de agosto de 2010

Sílabas de tato

Meus dedos tocam seu corpo
Em dáctilos
Sentindo cada sílaba de tato
Assim: uma longa e duas breves
Por onde cantam meus dedos

Prolongar uma sílaba de noite
no paladar de teu hálito
quando a língua é tato e fala
uma sílaba longa
ou um gemido
Quando o coração prolonga
a sílaba de amor e dilata-se
Em uma diástole eterna.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

São os mínimos pêlos, claros, da barriga que em calor se arrepiam
Dessas rochas de recôndita vida, são por essas belas ancas,
Que minha alma feito carne sobre seu corpo ainda vibra
Por todas as manhãs que hão de vir ainda,
ou as noites que já foram um dia.