terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Terrena Comédia

Este texto foi feito para estudar frânces (as exceções no passé composé)
então fiz essa músiquinha sobre meu Amigo Jesus
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Jesus e seus 14 verbos

“A meio caminhar de minha vida
fui me encontrar numa selva escura
estava a reta minha via perdida.”
Dante -Inferno


Como contou a bíblia:
No princípio era o verbo
Mas depois vieram 14 verbos em exceção
e Jesus desceu e me disse então:

Jesus veio nu
Je suis venu

E passando pela espanha
Jesus tirou a camisa vermelha e mostrou a banha
Vinha um touro e jesus gritou: Allé

Je suis Allé

Salvo do perigo, convidei Jesus para ir a minha casa
Estava aqui eu, no reino de Deus
Entre disse para o senhor
E ele me respondeu com honor:

Je suis entré

Saindo de casa meus olhos se encheram de lágrima
Pois no meio do caminho havia uma pedra
E jesus caiu:

Je suis tombé.

Mas Jesus é forte
Não se machucou, era seu dia de sorte

Je suis sorti

“Preste atenção no que falo!”
Disse o detentor de toda fé.
Continuamos a jornada eu a pé
E ele montado no cavalo

Je suis monté

Tive que parar na metade e ver
Jesus pro inferno descer

Je suis descendu

Com medo vi jesus partir

Je suis parti

De onde estava, ainda vi jesus morrer
Sem acreditar vi seu corpo arder:

Je suis morti.

Naquele lugar quente como o sol
Cinzas somente restou

Je suis resté


Mas como a fênix
Da cinzas vi Jesus voltar

Je suis returné.

E eu perguntando como ele fez isso
Ele me respondeu
Eu sou Jesus né?

Je suis né.

E soube que ele voltou apenas para falar
O único verbo que aqui não consegui colocar:

Je suis passé par.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O suicídio de uma puta

Um samba tocando no rádio,
um livro na mesa...
Sérgio Sampaio
rasgando a tristeza.

na banda o poeta tocava flauta
em suas próprias vértebras

na dança - que balança o balaço -
uma puta em seu regaço.

Ele deixou o livro
Ela ao menos sabe ler,
nem brincar...
Apenas botar pra gemer.
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A FLAUTA VÉRTEBRA

A todos vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.

Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.

Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.
esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.
(Maiakovski)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Clara

Meu corpo de bruta pedra enleia o teu
de ebúrnea textura.
És assim: inerte, Clara e pura
Como o amor enteu*.

Minha mão que se perde na tua pele
E escorrega e desliza, como no gelo dança
a água, que derrete e impele
o gelo para uma epopeica andança.

Entrelaçam as almas dos amados,
assim como os pés. Os corpos nus abraçados
e os espíritos em torpor
sentem o vento soprar a ventura.

Consolidam – debaixo da manta de lã -
os versos de Rimbaud:
“No verão às quatro da manhã
O sono do amor ainda dura”.




*inspirado por Deus

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

canção de outono

Longos soluços
dos violões
d'um outono
Ferem meu peito
num langor feito
calma e sono.

Me sufocando
pálido, quando
soa a hora
me vem à mente
tempo vivente.
A alma chora.

Violento,
vou como vento.
Me Transporta
pra cá, pra lá
feito assim vá
Folha morta.

(Paul Verlaine, minha tradução)